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Nível 3 — Automação e escala · Módulo 3.9 — Governança, custo e adoção

3.9.3 · Dado de cliente: o que pode ir para onde

4 min de vídeo TODOS

Objetivo: ao final, o consultor aplica a matriz de classificação de dado por ferramenta, sabe onde o dado repousa em cada caminho, e conhece o procedimento de incidente.

O que você precisa levar desta aula

  1. A pergunta que decide não é "esse dado é sensível?", é "onde ele vai repousar, e por quanto tempo?". A matriz cruza classificação de dado com ferramenta.
  2. MCP no sistema do cliente costuma ser o caminho mais conservador, não o menos: o dado não sai do sistema — trafegam a consulta e o resultado.
  3. Dois caminhos que não estavam na matriz original: auto memory grava na máquina do consultor sem decisão de ninguém (auditar com /memory ao encerrar frente de cliente), e Zero Data Retention no contrato do cliente torna o Code Review gerenciado indisponível.

A matriz: classificação × ferramenta

Chat Cowork (pasta local) Claude Code local MCP na instância Wayon MCP no sistema do cliente API própria
Fictício (instância Wayon)
Público (doc SAP, nota pública)
Interno Wayon (template, checklist)
Cliente, anonimizado
Cliente, identificável (CPF, CNPJ, razão social, nome de usuário) ⚠️ já está na pasta ⚠️ já está na pasta não leve dado de cliente para a instância ✅ não sai do sistema ⚠️ depende do contrato

✅ permitido · ⚠️ permitido sob condição · ❌ proibido · — não se aplica

A coluna da instância Wayon é a mais permissiva do curso, e por um motivo trivial: o dado é fictício, então não há o que proteger. É por isso que ela é o lugar de aprender, de testar hook, de configurar servidor MCP e de errar.

E ela tem uma proibição, na última linha: não leve dado de cliente para dentro da instância. Carregar um extrato real do Meridiano no ambiente de simulação para "testar com dado de verdade" transforma o laboratório em mais um lugar com dado de cliente — e num lugar que ninguém inventariou, justamente porque todos o tratam como fictício.

Como ler a última linha das colunas de cliente, que é a que importa:

Onde o dado repousa, em cada caminho

Caminho Onde o conteúdo fica depois
MCP na instância Wayon Na instância — e é dado fictício. É o único caminho sem consequência de vazamento
Chat Na conversa, na conta da organização
Cowork / Code com pasta local Na pasta, onde já estava — mais o histórico da sessão
MCP no sistema do cliente No sistema do cliente; o resultado da consulta fica no histórico da sessão
Auto memory Na máquina do consultor, em ~/.claude/projects/<projeto>/memory/
API própria Onde a Wayon decidir — e é responsabilidade da Wayon

A linha do auto memory é a que surpreende, e é a razão de ela ter virado adendo à Decisão 1 do DECISOES-PENDENTES.md.

Auto memory: o caminho que ninguém escolheu

O MEMORY.md da aula 2.3.6 é escrito pelo Claude, vem ligado por padrão, e fica na máquina do consultor. Depois de duas semanas no Meridiano, é plausível que haja nome de sistema, regra de negócio ou detalhe de processo do cliente ali — em texto claro, fora de qualquer inventário.

Três fatos que delimitam:

Recomendação da NkodeAI: manter ligado, auditar /memory no encerramento de frente de cliente, e desligar por exceção em cliente com cláusula restritiva.

Restrições contratuais típicas em projeto SAP

Cláusula do cliente Consequência prática
Proibição de dado pessoal em ferramenta de terceiro Anonimização obrigatória; MCP no sistema passa a ser o caminho preferencial
Zero Data Retention Code Review gerenciado indisponível (aula 3.5.4). Alternativa: /code-review local
Restrição de subprocessador Verificar antes de habilitar conector ou servidor de terceiro
Exigência de log de acesso Registro do fluxo de Faixa 2 (aula 3.9.1) passa a ser evidência contratual
Silêncio contratual Proposta da NkodeAI: anonimizado permitido; identificável exige consulta

Procedimento de incidente

  1. Avisar — imediatamente, pelo canal definido
  2. Registrar — o que era o dado, onde foi, quando, e o que já foi feito
  3. Remediar — apagar a conversa, revogar acesso, auditar /memory, e o que o caso exigir

Reporte tempestivo não é penalizado.

Essa frase não é enfeite. Sem ela, o comportamento real de quem errou é apagar e ficar quieto — e aí a Wayon perde a chance de dimensionar e remediar, que é o pior desfecho possível. A NkodeAI recomenda que ela apareça literalmente na política e no vídeo.

Regra Wayon A instância SAP da Wayon é o ambiente padrão para praticar, testar e experimentar — dado fictício, sem restrição. A única regra dela: dado de cliente não entra na instância, em nenhuma hipótese, nem "só para testar com dado de verdade". Anonimizado é permitido até 5 titulares reais. Acima disso, dado sintético é obrigatório. Silêncio no contrato permite material anonimizado e conteúdo genérico do produto; para dado identificável, exige consulta prévia ao cliente. A lista de clientes está no Multidados — Controle de AMS e projetos. Incidente: registrar no Multidados e avisar Felipe Camargo em até 1 hora útil, sem apagar a conversa. Reporte tempestivo não é penalizado.

📖 Política de dados — Nível 1, módulo 1.1 · Auto memory — módulo 2.3.6

Quiz — 6 casos

Para cada caso: permitido, permitido com anonimização, ou proibido.

1.Você cola no Chat um print da tela de exibição de pedido do MRD, com razão social e CNPJ visíveis, para pedir ajuda com um erro de liberação.
  • a)Permitido — é um print, não um extrato de banco de dados

    O formato não muda a classificação: razão social e CNPJ são dado identificável de cliente.

  • b)Proibido em qualquer forma — erro de liberação se resolve sem o Claude

    Não é proibido em qualquer forma; o diagnóstico não depende de quem é o fornecedor.

  • c)Permitido com anonimização — mascare fornecedor, CNPJ e número do pedido antes de colar

    Correto. O diagnóstico não depende da identificação, então anonimizar não custa nada de utilidade.

Ver resposta e por quê
a) O formato não muda a classificação: razão social e CNPJ são dado identificável de cliente.
b) Não é proibido em qualquer forma; o diagnóstico não depende de quem é o fornecedor.
c) Correto. O diagnóstico não depende da identificação, então anonimizar não custa nada de utilidade.
2.Você conecta o Cowork à pasta do Meridiano no seu notebook, que contém specs com nome de usuário-chave do cliente. A pasta está lá por previsão contratual.
  • a)Permitido — o dado já estava na pasta prevista em contrato; a sessão lê de lá, você não introduziu nada novo

    Correto, com a ressalva da regra de negação de leitura para arquivo com credencial (aula 2.1.4).

  • b)Proibido — qualquer sessão com dado identificável na pasta viola a política

    Isso tornaria o Cowork inutilizável em projeto real; a distinção é entre introduzir dado novo e ler o que já estava previsto.

  • c)Permitido com anonimização — é preciso anonimizar os arquivos da pasta antes de conectar

    Anonimizar a pasta de trabalho do projeto inviabilizaria o próprio trabalho; o dado está no lugar previsto.

Ver resposta e por quê
a) Correto, com a ressalva da regra de negação de leitura para arquivo com credencial (aula 2.1.4).
b) Isso tornaria o Cowork inutilizável em projeto real; a distinção é entre introduzir dado novo e ler o que já estava previsto.
c) Anonimizar a pasta de trabalho do projeto inviabilizaria o próprio trabalho; o dado está no lugar previsto.
3.Um servidor MCP somente-leitura, aprovado como Faixa 2, consulta o DEV do cliente e devolve a estrutura de uma tabela com dados de exemplo identificáveis.
  • a)Proibido — dado identificável não pode trafegar por servidor MCP

    Inverte a leitura: o MCP é justamente o caminho em que o dado não sai do sistema do cliente.

  • b)Permitido com anonimização — o servidor deveria mascarar antes de devolver

    Mascarar no servidor é boa prática adicional, mas não é o que classifica o caminho como permitido.

  • c)Permitido — o dado não sai do sistema do cliente; trafegam a consulta e o resultado, e este é o caminho mais conservador para dado identificável

    Correto, dentro da aprovação de Faixa 2 já obtida.

Ver resposta e por quê
a) Inverte a leitura: o MCP é justamente o caminho em que o dado não sai do sistema do cliente.
b) Mascarar no servidor é boa prática adicional, mas não é o que classifica o caminho como permitido.
c) Correto, dentro da aprovação de Faixa 2 já obtida.
4.Depois de duas semanas no Meridiano, você encerra a frente de trabalho. O MEMORY.md do auto memory contém o nome do sistema, a convenção de transporte e uma regra de alçada do cliente.
  • a)Sem problema — auto memory é local à máquina e não sai dela

    Ser local reduz a exposição, mas não resolve: é dado de cliente persistindo depois do fim do engajamento, fora de qualquer inventário.

  • b)Problema grave — o auto memory deveria estar desligado em toda pasta de cliente

    Desligar por atacado é o caminho conservador possível, mas custa o ganho de continuidade; não é a recomendação padrão.

  • c)Auditar com /memory e apagar o que é específico do cliente — entra no checklist de encerramento

    Correto. É a recomendação da NkodeAI e o adendo à Decisão 1.

Ver resposta e por quê
a) Ser local reduz a exposição, mas não resolve: é dado de cliente persistindo depois do fim do engajamento, fora de qualquer inventário.
b) Desligar por atacado é o caminho conservador possível, mas custa o ganho de continuidade; não é a recomendação padrão.
c) Correto. É a recomendação da NkodeAI e o adendo à Decisão 1.
5.A Wayon está fechando um contrato em que o cliente exige Zero Data Retention, e a proposta menciona revisão automática de PR com Code Review gerenciado.
  • a)A proposta precisa ser corrigida — Code Review gerenciado é indisponível para organização com Zero Data Retention; a alternativa é /code-review local

    Correto, e prometer em proposta seria erro material.

  • b)Não há problema — ZDR afeta retenção de conversa, não análise de código

    A restrição é explícita: o recurso não está disponível para organização com ZDR habilitado.

  • c)Não há problema se os repositórios do cliente forem privados

    A restrição é do ZDR na organização, não da visibilidade do repositório.

Ver resposta e por quê
a) Correto, e prometer em proposta seria erro material.
b) A restrição é explícita: o recurso não está disponível para organização com ZDR habilitado.
c) A restrição é do ZDR na organização, não da visibilidade do repositório.
6.Um consultor percebe que colou, três dias atrás, uma planilha com CPF de 40 titulares numa conversa do Chat. Ele não contou a ninguém e apagou a conversa. ---
  • a)Procedeu corretamente — apagar a conversa remedia o incidente

    Apagar é uma das ações de remediação, mas não substitui avisar e registrar, e sozinha impede o dimensionamento.

  • b)Procedeu errado no essencial — o procedimento é avisar, registrar e remediar; apagar e ficar quieto é o pior desfecho, e o reporte tempestivo não é penalizado

    Correto. É exatamente por isso que a declaração de não-punição precisa estar escrita na política.

  • c)Procedeu corretamente, já que a política de dados só se aplica a dado que permanece acessível

    A política se aplica ao ato de introduzir o dado, não apenas à permanência dele.

Ver resposta e por quê
a) Apagar é uma das ações de remediação, mas não substitui avisar e registrar, e sozinha impede o dimensionamento.
b) Correto. É exatamente por isso que a declaração de não-punição precisa estar escrita na política.
c) A política se aplica ao ato de introduzir o dado, não apenas à permanência dele.